Estados Unidos alertam sobre doença vinculada à covid-19 em crianças


24/05/2020 14h11 | Por: Maisteixeira/Fonte Exame

O primeiro caso da síndrome multi-inflamatória em crianças foi reportado no Reino Unido em abril, desde então, uma centena de casos ocorreram em Nova York.

As autoridades americanas alertaram na quinta-feira dia 14, os profissionais de saúde sobre uma doença inflamatória rara e grave que afeta as crianças e provavelmente está vinculada à covid-19. A doença, chamada síndrome multi-inflamatória em crianças (MIS-C) pelos Centros da Prevenção e da Luta contra as Doenças dos Estados Unidos (CDC), foi reportada pela primeira vez pelo Reino Unido em abril.

Desde então, uma centena de casos, com ao menos três falecidos, foram registrados no estado de Nova York. “Os trabalhadores sanitários que trataram ou tratam pacientes menores de 21 anos que apresentem os critérios de (a doença) MIS-C devem destacar os casos suspeitos a seus departamentos de saúde locais”, pediram os CDC.

Os sintomas são febre e inflamação em vários órgãos que obriga hospitalizar os pacientes, assim como a impossibilidade de realizar um diagnóstico e a exposição dos doentes à COVID-19 ou o confirmação de que se contagiaram com o novo coronavírus.

Os médicos que trataram essa nova doença observaram que os sintomas similares aos da síndrome de Kawasaki, que afeta o sistema vascular em crianças e cujas causas são desconhecidas.

Segundo os CDC, a hipótese dessa doença ser considerada no caso de “qualquer morte infantil com provas de uma infecção por SARS-CoV-2”, coronavírus causador da COVID-19.

O aparecimento destes sintomas inflamatórios parece ocorrer entre quatro e seis semanas depois que a criança foi infectada pelo coronavírus, quando já desenvolveu anticorpos, segundo o pediatra Sunil Sood, do centro médico infantil Cohen, em Nova York.

“Tinham o vírus, seu corpo o combateu. Mas agora têm essa resposta imunológica tardia e excessiva”, explicou à AFP.

Para somar uma incógnita a mais a esta doença, nenhum caso foi registrado em crianças na Ásia, inclusive na China, onde o vírus surgiu em dezembro. Alguns acreditam que a explicação seriam razões genéticas, segundo Sunil Sood.