Covid-19: Hospitais privados podem ficar sem anestésicos em 2 dias


21/03/2021 04h45 | Por: Maisteixeira/Fonte exame

Associação que representa os hospitais privados divulgou uma carta aberta informando sobre o risco de falta de medicamentos que auxiliam na intubação de pacientes

A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) divulgou uma carta aberta informando que o estoque de medicamentos usados no tratamento da covid-19 está no limite. O levantamento, feito na última quinta-feira, dia 18, indicava que o abastecimento de alguns anestésticos era suficiente somente para mais 4 dias — ou seja, duraria somente até segunda-feira, dia 22.

Profissionais da saúde e administradores de hospitais têm alertado as autoridades para a escassez de medicamentos, como anestésicos e sedativos, usados no processo de intubação dos pacientes acometidos pela covid-19.

Veja abaixo a duração dos estoques dos hospitais privados, aferida no dia 18, quinta-feira:
  • Propofol (anestésico): 4 dias
  • Cisatracurio (bloqueador neuromuscular): 4 dias
  • Atracúrio (bloqueador neuromuscular): 4 dias
  • Rocuronio (relaxante muscular): 9 dias
  • Midazolam (sedativo): 14 dias
  • Fenatanila (analgésico): 19 dias

“Entendemos a preocupação do governo em garantir os insumos necessários para a atenção aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), mas a situação do setor privado também é bastante preocupante e, certamente, atingirá o seu ápice nos próximos dias”, diz a Anahp, em nota.

A queixa da associação é que o SUS tem feito novas requisições para as empresas fabricantes dos medicamentos, o que compromete os pedidos feitos anteriormente pelos hospitais privados.

“Caso essas instituições (privadas) fiquem sem as medicações necessárias para os procedimentos exigidos em pacientes acometidos pela Covid-19, a alta demanda dos hospitais privados sobrecarregará ainda mais o setor público – agravando a situação do sistema de saúde brasileiro”, alerta a Anahp.

A situação crítica de fornecimento de medicamentos e insumos médicos levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a flexibilizar as regras de registro e aprovação de novos produtos. Entre as medidas anunciadas está a adoção de medicamentos importados sem registro e o aproveitamento de cilindros de oxigênio de uso não-medicinal.