‘410 mil vidas me separam do presidente’: as críticas de Mandetta a Bolsonaro na CPI da Covid


05/05/2021 01h57 | Por: Maisteixeira/Fonte BBC

Primeiro ministro da Saúde do governo de Jair Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta (DEM) não poupou críticas ao presidente em seu depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que investiga ações e omissões de autoridades no enfrentamento da pandemia.

Segundo Mandetta, Bolsonaro ignorou a ciência e as informações de sua pasta sobre a gravidade da crise sanitária. Mesmo alertado, diz o ex-ministro, o presidente optou por não fazer uma campanha de conscientização da população, preferindo estimular o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença.

AGÊNCIA SENADO

Nesse sentido, revelou que chegou a ser discutida internamente no governo uma alteração da bula da cloroquina para incluir uso no tratamento da covid-19, muito embora não houvesse estudos embasando isso.

“Hoje, 410 mil vidas me separam do presidente”, disse Mandetta a senadores, em referência às quase 410 mil vítimas da covid-19 no país.

Na quarta-feira (05/05), falará à CPI seu sucessor no comando do ministério, Nelson Teich. Ele substituirá o depoimento do ex-ministro Eduardo Pazuello, que foi transferido para o dia 19 de maio, após o general afirmar que não poderia comparecer por ter tido contato recente com duas pessoas diagnosticadas com covid-19.